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Que tal utilizar uma comunicação mais inclusiva?

Oi, gente, tudo beleza?

Hoje, quero bater um papo com você sobre um tema que nem sempre tem a devida atenção: a comunicação inclusiva. Eu já trabalhei em agências e redações e sei muito bem como tudo é super corrido – ideia de pauta, bater o briefing, mandar pro cliente, voltar, elaborar melhor, envia de novo, aprova e sobe… Ufa! Às vezes não sobra tempo nem pra pensar se o que tem sido abordado ali consegue abraçar todo o seu público. Mas saiba você que tem, sim, como a gente trocar uma ideia com o cliente da empresa de forma muito mais inclusiva e humana. Chega mais que a gente precisa conversar um pouquinho.

I Get It GIF by Rosanna Pansino

Podemos dialogar de forma mais efetiva?

Você com certeza estudou na escola (e se fez comunicação, na faculdade também) a ideia de emissor, canal de comunicação e receptor, certo? Um diagrama simples que, quando executado nas condições ideais de temperatura e pressão, tem uma grande efetividade e consegue dar um check no diálogo. Eu falei e você entendeu.

Mas… o mundo é enorme. Existem pessoas que nunca se sentiram representadas, seja com uma cadeira no senado, com os personagens de um videogame, séries e filmes… e na comunicação. Se uma plataforma se refere com “aos meus usuários”, ela deixa de conversar com todo um grupo de pessoas que também utilizam os seus serviços: o mundo evoluiu, e com ele a nossa mentalidade. Mulheres (cis e trans) também querem se enxergar no seu conteúdo e os genderqueers também. E é aí que a gente começa a falar sobre os pronomes neutros.

Numa primeira olhada, pode ser que você tenha torcido o bico para eles. Não tem problema algum em sentir uma certa estranheza inicial, já que a nossa sociedade foi educada desde sempre com a mentalidade do O para gênero masculino e A para o feminino. Eu, por exemplo, ainda estou no processo de desconstrução dessas ideias (e confesso que é muito difícil abandonar certos vícios…) e tenho cada vez mais pensado com a terceira vogal como opção de inclusão: a letra E.

Até um tempo atrás, a grande discussão nas redes sociais e nos âmbitos acadêmicos era a da utilização do @ e do X como possíveis substitutos. Muitos e-mails institucionais foram disparados com “prezadxs” ou “querid@s” e nem sempre eram bem recebidos pelos receptores: para além das possíveis discussões políticas que a alteração poderia acarretar, ao tentar incluir um grupo nos e-mails ou tweets, um outro grupo perde um pouco da sua inclusão, a dos deficientes visuais. Por utilizarem leitores de tela, ao se esbarrar com um @ ou X fora do lugar, o programa às vezes não reconhecia a palavra por inteiro e a mensagem não era 100% compreendida por eles. Assim, a utilização da vogal E é a mais recomendada na hora de elaborar a campanha: amigos vira amigues, meninos vira menines e assim por diante.

Gay Pride Dog GIF by Stefanie Shank

Se a sua marca não é vista como progressista, é possível que alguns comentários sejam contra o novo formato. Mas, ainda assim, reflita comigo: quem já está incluído no seu loop de vendas e publicações, por mais que reclame ou fale mal, já se sente acolhido por você. Agora, toda uma outra parcela da população vai passar a se sentir parte da comunidade. Eu vejo como uma situação win/win, e você?

Dados de uma pesquisa realizada pela Pew Research Center apontam que mais da metade dos adultos norteamericanos se sentem à vontade para utilizar pronome neutro quando a situação pede. Para eles, não há problema algum em tratar quem quer que seja pela forma como se sente melhor. Da mesma forma, cerca de 73% dos jovens/adultos entre 18 e 29 anos já tiveram algum contato (ou já ouviram falar) com pessoas que preferem o tratamento com pronome neutro. Tudo isso aponta como a sociedade tem evoluído e começado a entender algo que há poucos anos era impensável e até mesmo debatido.

Inclusão não é apenas de gênero

É extremamente importante ter a conversa sobre como incluir pessoas nos seus conteúdos, e isso não se limita apenas ao debate de gênero. Seja o seu conteúdo em texto ou imagético, é preciso, também, fazer com que pessoas com deficiências visuais sintam que o seu plano também contempla cada uma delas. E você vai perder uma grande parcela da população se não fizer isso: cerca de 19% dos brasileiros tem algum tipo de deficiência na visão, sabia?

Se você produz bastante coisa em texto, seja para portal de notícias ou blogs, o processo já tem meio caminho andado: através de programas instalados no computador e no celular, muitos deficientes já ouvem o que você digitou e conseguem entender perfeitamente – então evite utilizar caracteres estilizados ou desconhecidos pela ABNT.

Observação: vale usar emoji, pode ficar tranquilo! Muitos leitores de texto já têm a capacidade de identificar cada um deles.

Mas nem todo mundo anda com o leitor de tela instalado, né? Então, que tal colocar um leitor que converte o seu texto em áudio e já deixa o player bonitinho, com todo o conteúdo narrado? E, sério, muitas empresas já prestam esse serviço hoje em dia: um exemplo é a empresa brasileira Audima, que tem um plugin que converte todo o texto e faz com que ele seja acessível em questão de minutos. A plataforma já é utilizada por vários clientes, desde portais de notícias até setores do Ministério da Justiça.

Se a sua empresa trabalha com imagens, é importante que as postagens venham acompanhadas de uma hashtag que tem sido utilizada cada vez mais, a #PraCegoVer. É através dela que você pode explicar o que a tecnologia ainda não é capaz de fazer de forma satisfatória: descrever a imagem de forma clara, independente da campanha. Assim, o leitor de texto vai narrar a sua descrição e o cliente final vai entender a mensagem que foi passada através da sua publicação, simples assim.

Basicamente, é isso! Espero que eu tenha conseguido passar algumas boas táticas de comunicação inclusiva e, ao mesmo tempo, tenha conseguido abrir algumas boas oportunidades (não apenas comerciais, mas humanas) para você. Incluir não é só trazer pra perto e deixar de lado, é fazer com que o outro se sinta acolhido.

De pouquinho em pouquinho a gente consegue que todo mundo se sinta abraçado, não é?

friends hug GIF

David Silva

Escrito por David Silva

Jornalista apaixonado por games, tecnologia, séries e filmes. Não há uma ordem específica.

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